Finalizo 2025 no auge do meu retorno ao hábito da leitura. Este foi o quarto ano consecutivo em que consegui manter uma rotina consistente, algo que, alguns anos atrás, parecia improvável. Ler voltou a ser um eixo estruturante do meu cotidiano — não apenas um passatempo eventual.
Até então, 2022 havia sido o meu melhor ano como leitor. Naquele período, li 63 livros e 5 contos curtos, com uma média de 34 páginas por dia, totalizando 12.484 páginas. Foi um marco importante, tanto em volume quanto em disciplina.
Em 2025, embora eu tenha lido menos livros (54 no total), o avanço foi significativo em profundidade. A média diária saltou para 45 páginas, resultando em 16.557 páginas lidas ao longo do ano.
O dado mais revelador está no tamanho das obras: se em 2022 cada livro tinha, em média, 184 páginas, em 2025 essa média subiu para 307 páginas por livro. Li menos títulos, mas enfrentei livros mais longos, densos e exigentes.
Os números dos últimos quatro anos ajudam a visualizar melhor esse percurso:
Em comparação com 2024, 2025 foi um ano de muito mais constância. O primeiro semestre concentrou cerca de 62% das páginas lidas, com uma média impressionante de 56 páginas por dia. No segundo semestre, houve desaceleração: a média caiu para 34 páginas diárias.
Esse cansaço ficou especialmente evidente a partir de setembro, culminando em um dezembro em que consegui concluir apenas um livro que foi Dom Quixote. Não por acaso, foi uma leitura longa, exigente e feita em ritmo bem mais lento.
Uma das metas que estabeleci para 2025 foi simples na formulação e difícil na execução: ler todos os dias. Em 2024, eu havia passado 138 dias sem ler uma única página, um verdadeiro “deserto literário”. Em 2025, consegui cumprir essa meta com sucesso. Houve apenas 15 dias em que li 10 páginas ou menos — mas nenhum dia completamente em branco.
Esse compromisso diário fez toda a diferença. A regularidade, mais do que picos de empolgação, foi o motor do ano.
Os gráficos ajudam a contar essa história visualmente. Até março, mantive um desempenho semelhante ao de 2022. A partir daí, acelerei o ritmo de forma consistente e, em 27 de agosto, já havia alcançado o mesmo total de páginas lidas naquele que ainda era o meu melhor ano.
Portanto, o segundo trimestre foi decisivo para que eu alcançasse esse desempenho. Já a partir de outubro, a curva mostra claramente a desaceleração.
Entre os livros mais extensos que li em 2025, alguns se destacam não apenas pelo tamanho, mas pelo ritmo e pela experiência de leitura:
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Os Irmãos Karamázov — 861 páginas, lidas em 15 dias (média de 57 páginas/dia)
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Dom Quixote — 850 páginas, lidas em 41 dias (média de 21 páginas/dia)
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Os Sertões — 642 páginas, lidas em 12 dias (média de 54 páginas/dia)
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As Cartas de J.R.R.Tolkien — 620 páginas, lidas em 10 dias (média de 62 páginas/dia)
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Odisseia — 606 páginas, lidas em 10 dias (média de 61 páginas/dia)
Olhando para trás, 2025 não foi apenas um ano de bons números. Foi um ano de maturidade como leitor: mais disciplina, escolhas mais ambiciosas e uma relação mais consciente com o tempo dedicado à leitura. Menos ansiedade por metas artificiais e mais atenção ao processo.
Se 2022 foi o ano do entusiasmo recuperado, 2025 foi o ano da consolidação.