domingo, setembro 28, 2025

Ana Terra


Ana Terra, publicado originalmente em 1949 como parte da trilogia O Tempo e o Vento, narra a trajetória da personagem-título, uma mulher marcada pela dureza da vida nos pampas gaúchos do século XVIII, período de colonização e conflitos fronteiriços no sul do Brasil. 

A protagonista é retratada como símbolo da resistência e da luta feminina diante de uma realidade social e cultural hostil. Ana vive em um ambiente patriarcal, onde a mulher é destinada à submissão, mas sua força e determinação a transformam em figura de ruptura. Seu relacionamento com Pedro Missioneiro, de origem indígena, e a gravidez decorrente dele representam não apenas um conflito moral e familiar, mas também um choque cultural que expõe tensões entre preconceito, tradição e afetividade. 

Érico Veríssimo (1905-1975), com sua escrita fluida, não se limita a contar a saga de uma família; ele capta a construção da identidade do povo gaúcho. Ana Terra evidencia como a violência, a religiosidade e a luta pela terra moldaram o caráter de uma sociedade. Esse pequeno capítulo da trilogia original atiçou a vontade de ler toda a obra, algo que farei no futuro próximo. 

Enfim! Ana Terra é um livro que ultrapassa o regionalismo: é um retrato da condição humana diante da adversidade. A narrativa valoriza a coragem individual como alicerce da coletividade e reafirma o papel da mulher como protagonista silenciosa da história.

quarta-feira, setembro 24, 2025

Progresso na Vida Espiritual


Publicado em 1854, Progresso na Vida Espiritual do teólogo inglês Frederick Faber (1814-1863), que se converteu do anglicanismo ao catolicismo, é um tratado de espiritualidade católica que busca orientar o fiel no caminho de santificação progressiva. A obra se estrutura como um guia prático e meditativo, no qual o autor expõe, em linguagem profundamente devocional, as etapas do crescimento interior e da união com Deus. 

O ponto forte do livro está em sua combinação de clareza pastoral e densidade teológica. Faber não se limita a descrições abstratas da vida espiritual; ele propõe conselhos concretos para a prática da oração, da mortificação, da caridade e da confiança em Deus, com ênfase na ação da graça divina, sem anular a responsabilidade humana. 

O convite de Faber à perseverança, ao autoconhecimento espiritual e à busca sincera da santidade ressoa até hoje, mesmo para um livro escrito dois sefulos atras. Pontos que ele trazia à época que o inglês deveria tomar cuidado para não sair do caminho santificante, ressoa hoje como se tivéssemos feito o caminho contrário.

sexta-feira, setembro 12, 2025

A Arte de Viver


O Encheiridion, conhecido em português como A Arte de Viver, é um manual conciso do estoicismo elaborado a partir dos ensinamentos de Epiteto (50-138), compilados por seu discípulo Arriano. Ao contrário de tratados extensos, a obra tem caráter prático e direto: é menos um exercício especulativo e mais um guia de conduta para a vida cotidiana.

A mensagem central é a distinção entre o que está sob nosso controle (opiniões, desejos, escolhas) e o que não está (riqueza, saúde, reputação, morte). Epiteto insiste que a verdadeira liberdade e tranquilidade surgem ao concentrar-se apenas naquilo que depende de nós, aceitando o resto com serenidade. Essa postura torna-se um antídoto contra as perturbações e ansiedades que nascem do apego às circunstâncias externas.

A obra se destaca pela clareza e força moral de suas sentenças, mas também revela limitações. Sua ênfase na resignação pode parecer excessiva ou pouco prática em contextos sociais e políticos em que a ação coletiva é necessária para a justiça. Além disso, o foco na autossuficiência interior, embora libertador, pode soar individualista, relativizando a importância de vínculos comunitários ou afetivos, contrários aos ensinamentos cristãos. 

Ainda assim, sua relevância permanece viva: em um mundo marcado pela instabilidade, o chamado de Epiteto à disciplina interior, à aceitação lúcida e à liberdade espiritual continua atual. O livro não é apenas uma introdução ao estoicismo, mas uma provocação a repensarmos o que realmente controlamos em nossas vidas e o que nos aprisiona em falsas expectativas.

quinta-feira, setembro 11, 2025

História da Igreja: Marcas da presença de Cristo no Mundo


O livro História da Igreja: Marcas da presença de Cristo no Mundo, da historiadora italiana Angela Pellicciari (1948-), é uma introdução acessível e envolvente aos mais de dois mil anos de trajetória da Igreja Católica. Com linguagem clara, a autora apresenta os grandes marcos, crises, santos e concílios que moldaram a fé cristã, sempre ressaltando o testemunho espiritual que acompanha a história.

Um dos pontos fortes da obra é justamente este: mostrar que a Igreja não é apenas uma instituição, mas também uma comunidade viva, marcada pela ação de Cristo ao longo do tempo. Além disso, o livro não esconde momentos de perseguição, divisões internas e crises morais.

Há certa seletividade temática: a narrativa foca mais na experiência europeia e institucional, deixando em segundo plano perspectivas de comunidades periféricas, mulheres ou povos não ocidentais. Mas por ser um livro de 320 páginas, a autora teve que fazer várias concessões e essa foi uma delas.

Ainda assim, trata-se de uma leitura recomendada para católicos que desejam fortalecer sua compreensão da fé e da tradição.

terça-feira, setembro 02, 2025

A Hora e a Vez de Augusto Matraga


O conto A hora e vez de Augusto Matraga, publicado originalmente em Sagarana (1946), condensa, em poucas páginas, a violência, a redenção, a religiosidade e a tensão entre o destino e a liberdade humana. 

A narrativa acompanha Augusto Esteves, conhecido como Nhô Augusto, fazendeiro prepotente, mulherengo e violento que, após ser traído e espancado por inimigos, é dado como morto. Salvo por um casal de negros pobres, ele inicia uma trajetória de isolamento, penitência e conversão religiosa. Ao longo dos anos, vivendo em penitência e disciplina, tenta se preparar para “sua hora e vez” — o momento de provar seu valor espiritual. 

Guimarães Rosa (1908-1967) utiliza a linguagem sertaneja, rica em oralidade, arcaísmos e expressões regionais, para dar autenticidade e, ao mesmo tempo, transcendência à narrativa. O sertão aqui é mais do que cenário: é espaço simbólico onde se dão as lutas da alma humana. 

O aspecto mais poderoso da obra é a construção da figura de Nhô Augusto como um anti-herói que se torna mártir. Se no início é um homem bruto, entregue à violência e aos vícios, sua queda o leva a um processo de purificação interior que culmina em um gesto de sacrifício. 

A hora e vez de Augusto Matraga é mais que um conto regionalista: é uma narrativa sobre a possibilidade de transformação e transcendência.

segunda-feira, setembro 01, 2025

Ivanhoe


Publicado em 1819, Ivanhoe é um dos romances históricos mais célebres de Walter Scott (1771-1832) e um marco na consolidação do gênero. A obra transporta o leitor para a Inglaterra do século XII, período turbulento em que normandos e saxões disputavam poder após a conquista normanda. Nesse cenário, Scott constrói uma trama em que se misturam cavalaria, amor, intrigas políticas e o espírito medieval. 

O protagonista, Wilfred de Ivanhoe, é um cavaleiro saxão leal ao rei Ricardo Coração de Leão. Deserdado pelo pai por amar Lady Rowena, Ivanhoe retorna disfarçado, revelando sua identidade apenas em torneios e batalhas decisivas. Uma das personagens mais interessantes é Rebecca, uma jovem judia que se torna símbolo de dignidade e resistência em meio ao preconceito medieval. 

Do ponto de vista literário, Ivanhoe combina rigor histórico e imaginação romântica. Scott reconstrói costumes, hierarquias feudais, códigos de cavalaria e tensões étnicas. 

Um dos pontos mais fortes do romance é a crítica velada às injustiças sociais, especialmente no tratamento dado aos judeus. Rebecca é construída como uma das personagens mais nobres e virtuosas do livro, em contraste com cavaleiros cristãos muitas vezes cruéis e interesseiros. 

Ivanhoe permanece como um clássico não apenas pela aventura e pelo pano de fundo histórico, mas pela forma como problematiza identidade nacional, preconceito e a tensão entre ideal e realidade. Walter Scott inaugurou, com esse romance, uma maneira de enxergar a história através da ficção, influenciando profundamente escritores posteriores e moldando o imaginário medieval que ainda ressoa na cultura popular contemporânea.

segunda-feira, agosto 18, 2025

Sobre a Brevidadde da Vida


Escrito no século I d.C., De Brevitate Vitae é uma das obras mais célebres do filósofo estoico Lúcio Aneu Sêneca (4 a.C-65). Trata-se de uma carta ensaística, na qual o autor reflete sobre o tempo, a finitude da existência humana e a forma como os homens desperdiçam suas vidas em ocupações inúteis, ambições vãs ou prazeres passageiros.

Sêneca parte da provocativa tese de que a vida não é curta em si mesma, mas se torna curta quando mal administrada. O tempo, o bem mais precioso, é o único recurso verdadeiramente irrecuperável; no entanto, os homens se comportam como se fosse inesgotável. Trabalhos desnecessários, busca incessante por riquezas, carreiras políticas desgastantes e prazeres superficiais consomem o viver, restando pouco espaço para a filosofia e para a contemplação daquilo que dá sentido à existência.

Sua crítica à dispersão e ao apego às coisas efêmeras ecoa fortemente em uma sociedade moderna marcada pela pressa, pelo consumismo e pela ilusão da produtividade constante. Ao defender a vida filosófica como o verdadeiro uso do tempo, Sêneca não propõe um isolamento do mundo, mas sim uma atitude de consciência, reflexão e busca daquilo que é essencial.

Em um mundo em que “não temos tempo para nada”, Sêneca nos lembra que não é a vida que nos falta, mas sim a consciência de vivê-la plenamente.

Sobre a Brevidade da Vida é uma obra breve, mas de impacto profundo. É ao mesmo tempo uma advertência e um convite: a advertência de que o tempo se esvai nas ocupações fúteis e o convite para resgatarmos o que há de mais humano que é a capacidade de pensar, escolher e viver de forma autêntica.

domingo, agosto 17, 2025

A Divina Comédia: Paraíso


Foi uma grande jornada com um final digno da fama que essa obra carrega. 

O Paraíso é a parte final da Divina Comédia e, ao mesmo tempo, a mais complexa e abstrata da obra de Dante Alighieri. Se no Inferno predominava a concretude das penas e no Purgatório a caminhada esperançosa rumo à purificação, no Paraíso o poeta nos transporta a uma dimensão espiritual de difícil representação, em que a linguagem humana parece insuficiente diante da grandeza divina. 

A narrativa se estrutura na ascensão de Dante, guiado por Beatriz, através das nove esferas celestes até chegar à visão beatífica de Deus. Cada esfera corresponde a um grau de perfeição e virtude, habitado por almas que, de alguma forma, não alcançaram a plenitude da união divina, mas que participam da glória eterna. O poeta dialoga com santos, doutores da Igreja, figuras bíblicas e até com seu bisavô Cacciaguida, que lhe revela sua missão profética e o exílio que enfrentará. 

Foi o canto mais exigente, mas a sua leitura atenta e pausada compensa todo o esforço. O próprio autor se esforçou em traduzir o indescritível dando origem a algumas passagens de uma beleza sublime.

Podemos considerar o Paraíso ao mesmo tempo o auge e o limite da Divina Comédia. É o auge porque cumpre a promessa da jornada: a elevação do homem pela graça até a visão direta de Deus. É o limite porque a experiência divina é intransmissível em palavras e o próprio poeta reconhece sua incapacidade de expressar plenamente o que viu, transformando a falha da linguagem em parte essencial da mensagem. 

Assim, o Paraíso é menos narrativo e mais contemplativo: exige fé, paciência e entrega intelectual. Para alguns, pode parecer chato, mas  pra mim, foi como se eu tivesse tido a oportunidade de vislumbrar um pequeno pedaço do que nos espera caso sigamos o Seu caminho.

segunda-feira, agosto 11, 2025

A Divina Comédia: Purgatório


Continuando a saga da Divina Comédia, agora foi a vez do Purgatório que ocupa posição central, funcionando como ponte entre o terror moral do Inferno e o êxtase luminoso que nos espera no Paraíso. É o livro da esperança e da transformação, no qual Dante, guiado por Virgílio, ascende pela montanha do Purgatório, lugar destinado às almas arrependidas que, embora salvas, ainda necessitam expiar suas faltas. 

A estrutura é rigorosa: sete terraços correspondem aos sete pecados capitais, cada um purgando o vício através de uma contrapassio simbólica. Ao contrário do ambiente opressivo e imutável do Inferno, o Purgatório é dinâmico: as almas estão em movimento, em processo de depuração, e a paisagem é permeada por luz crescente e cânticos sagrados. Essa atmosfera traduz uma mudança fundamental de tom: o medo e a condenação cedem espaço à possibilidade de redenção.

Ao final do livro temos a entrada triunfal de Beatriz na narrativa que se torna a sua nova guia e que já nos dá um vislumbre do que teremos no Paraíso. 

O grande mérito do Purgatório está na sua dimensão humana: é o cântico do arrependimento ativo, da disciplina espiritual e da confiança na misericórdia divina. Ao contrário do Inferno, onde os condenados se tornam estáticos em seus erros, aqui há diálogo, humildade e desejo de mudança. Virgílio, ainda guia racional, começa a ceder espaço a Beatriz, símbolo do amor divino, preparando o leitor para a etapa final da jornada. 

Aqui temos um livro contemplativo e esperançoso, celebrando a transformação pela penitência e pelo amor divino. É o cântico onde o homem, entre a queda e a perfeição, luta para purificar-se e tornar-se digno da luz eterna.

quarta-feira, agosto 06, 2025

A Divina Comédia: Inferno


Depois de concluir a jornada clássica subindo os degraus da Ilíada, Odisseia, Eneida e Metamorfoses; chegou o momento de encarar o clássico do poeta florentino Dante Alighieri: A Divina Comédia

O Inferno é a primeira das três partes que compõem a obra que é considerado um dos maiores marcos da literatura universal. O poema é ao mesmo tempo uma alegoria espiritual, uma construção teológica e um retrato político-social da Florença medieval. 

A narrativa inicia-se com Dante, na noite da Sexta-Feira Santa, perdido numa “selva escura” — metáfora para o pecado e a confusão moral. O poeta é guiado por Virgílio, símbolo da razão e da sabedoria clássica, numa descida pelos nove círculos do Inferno, onde as almas são punidas segundo a gravidade de seus pecados, num sistema de justiça divina chamado contrapasso (a pena reflete ou ironiza o crime cometido em vida). 

A força literária do Inferno está na fusão entre imaginação vívida e rigor moral. As descrições das paisagens infernais e das torturas são ao mesmo tempo reais e simbólicas: do rio Aqueronte às chamas de Lúcifer, tudo é carregado de significados teológicos e filosóficos. O texto vai além da religiosidade, revelando também a indignação política de Dante, que não hesita em colocar inimigos, governantes corruptos e até papas nos círculos infernais. 

A obra convida à reflexão sobre a responsabilidade individual, o papel da razão na condução moral e a necessidade de autoconhecimento para alcançar a salvação. Ainda assim, o Inferno mantém-se atual pela sua universalidade simbólica: todos, em alguma medida, reconhecem a jornada de sair do erro para buscar a luz.

quinta-feira, julho 31, 2025

Metamorfoses

Metamorfoses é uma das obras mais ambiciosas e influentes da literatura clássica latina. Escrita por Ovídio (43 a.C-17 d.C) e levado ao público ao redor do ano 8 d.C., a obra, composta em versos, reune mais de 250 mitos da tradição greco-romana, conectados pelo tema comum da transformação (metamorfose), seja ela física, emocional, simbólica ou espiritual.

Ovídio constrói uma narrativa fluida e engenhosa que começa com a criação do mundo e segue até a deificação de Júlio César, integrando mitos como o de Apolo e Dafne, Eco e Narciso, Píramo e Tisbe, Orfeu e Eurídice, entre muitos outros. Esses episódios, ainda que independentes, são interligados de forma fantástica.

Diferente de Homero e Virgílio, Ovídio não exalta a guerra ou os feitos heroicos como ponto central, mas foca nas experiências humanas — especialmente nas paixões, nos desejos e nas consequências dos atos dos deuses e dos mortais.

Entretanto, a riqueza da obra também impõe desafios: sua extensão e a densidade de referências mitológicas exigem do leitor certo familiaridade com a tradição clássica. No mínimo deve-se ter lido a Ilíada, a Odisseia e a Eneida para começar a apreciar a obra. Ainda assim, sua capacidade de emocionar, surpreender e provocar permanece intacta, mesmo passados mais de dois mil anos.

É uma obra que transcendeu seu tempo e o próprio autor, sabendo da obra magistral que estava escrevendo, finaliza o último livro com os seguintes versos:

“Eis que uma obra encerrei, que nem a ira de Jove,
fogo ou ferro destruirá, ou o ávido tempo.
Quando quiser, o dia, que nada senão este corpo pode clamar,
me encerre o incerto tempo da vida
pois com a parte melhor de mim, perene, por sobre
altos astros irei, e meu nome será indelével;
e onde a potência romana espalhar-se nas terras domadas
todo o povo me lerá, e, em tal fama, pra sempre
(se algo há de vero em presságios de vates) sigo vivendo.”

quinta-feira, julho 17, 2025

O Auto da Compadecida

Publicado em 1955, O Auto da Compadecida é uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira, combinando elementos do teatro popular nordestino com uma crítica social profunda, mas recheada de humor e religiosidade.

Ariano Suassuna (1927-2014), com sua prosa dramática viva e espirituosa, oferece ao leitor um retrato cômico, crítico e ao mesmo tempo compassivo do povo nordestino.

A peça gira em torno de João Grilo e Chicó, dois sertanejos pobres que vivem de espertezas para sobreviver num mundo injusto e desigual. João Grilo, o protagonista, é a figura clássica do malandro inteligente, que usa o discurso e a astúcia para driblar a fome, os poderosos e até a morte. Já Chicó é covarde e mentiroso, mas profundamente humano. A dupla funciona como representação do povo humilde, forçado a improvisar diante das adversidades.

A peça é uma crítica à hipocrisia social, à exploração dos pobres e ao uso distorcido da religião pelos poderosos. A linguagem é outro destaque: rica, inventiva, marcada por regionalismos e expressões populares que dão autenticidade aos personagens e ritmo ao texto. Suassuna consegue o feito de unir o popular ao sofisticado, o riso à reflexão, o teatro à poesia.

Mesmo para quem viu apenas o filme, temos aqui uma leitura indispensável para quem deseja compreender o Brasil profundo, com suas dores, fé e esperanças.

domingo, julho 13, 2025

Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz


Aproveitando que estava em Goiânia esse final de semana, hoje foi dia de asssistir a missa dominical em uma nova paróquia.

Participei da missa na Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz que foi inaugurada em maio de 1969.

A paróquia é simples, sendo parecida com a minha. Possui uns vitrais na parte superior e o altar com um painel com um desenho de Cristo.

A liturgia foi bem seguida e o padre fez uma boa homilía. Graças a Deus que essa comunidade tem uma boa paróquia para servi-la.



sábado, julho 12, 2025

Eneida


A Eneida, escrita por Virgílio (70 a.C.-19 a.C.) no século I a.C., é mais do que uma epopeia mitológica sobre a fundação de Roma: é um projeto literário profundamente político, que combina poesia, propaganda e filosofia. Composta em doze livros e inspirada nas epopeias homéricas, a obra narra a jornada do herói troiano Eneias, desde a queda de Troia até sua chegada ao Lácio, onde lançará as bases da futura Roma.

Virgílio, escrevendo a pedidos do imperador Augusto, dá à Eneida um tom solene e profético. Eneias não é apenas um guerreiro; ele é portador do destino inevitável traçado pelos deuses, que o impele a cumprir uma missão maior do que ele mesmo. A submissão de Eneias ao dever e sua renúncia a paixões pessoais (como no célebre abandono de Dido) ilustram o ideal da virtude romana de devoção à pátria, aos deuses e à família.

A leitura é difícil, pois o autor usa uma linguagem refinada, cheia de imagens poéticas (li acompanhado de um professor que explicava livro por livro no detalhe). A estrutura narrativa equilibra ação e introspecção, mesclando episódios heroicos com momentos de grande humanidade. A descida ao mundo dos mortos, no Livro VI é um dos pontos altos da obra, onde Eneias encontra seu pai e vislumbra o destino glorioso de Roma.

A influência homérica é visível: os seis primeiros livros ecoam a Odisseia (viagem e provações), e os seis últimos a Ilíada (guerras e batalhas).

A Eneida é uma obra profundamente marcada pelo contexto da ascensão de Augusto e do fim das guerras civis romanas. A epopeia legitima o novo regime ao apresentar Eneias como antepassado da família Julia, que é a família do imperador. Roma surge como a culminação de um plano divino universal — um império destinado a trazer paz e ordem ao mundo.

Essa dimensão política, no entanto, não elimina a tensão trágica da narrativa. Alguns apontam a ambiguidade do final, com Eneias matando Turno em um gesto de fúria que parece contradizer sua imagem de piedade. Prefiro ter uma outra leitura que é mais sombria: a fundação de Roma vem à custa de dor, sacrifício e destruição.

domingo, junho 29, 2025

Três Para Casar


Três para Casar, publicado em 1951, é uma reflexão profunda e espiritual sobre o matrimônio, escrito pelo arcebispo católico Fulton Sheen (1895-1979). O livro parte da premissa de que um casamento verdadeiramente feliz e sólido não é apenas uma união entre duas pessoas, mas entre três: o homem, a mulher e Deus. 

Sheen aborda o casamento não apenas como um contrato social ou um arranjo humano, mas como um sacramento, uma realidade espiritual que reflete o amor divino. Ele explora temas como o amor autêntico, o sentido do corpo e da sexualidade, a importância da castidade, a preparação para o matrimônio e os perigos do materialismo e do egoísmo nas relações. 

Sheen consegue unir filosofia, teologia e psicologia de maneira clara e acessível. Ele explica conceitos complexos sobre o amor e o matrimônio de forma que tanto leigos quanto estudiosos possam compreender. 

Um dos méritos da obra é apresentar o amor conjugal não como mera busca de satisfação pessoal, mas como entrega, sacrifício e compromisso mútuo, enraizado em Deus. 

O livro é provocativo e enriquecedor para quem busca compreender o casamento como algo além do aspecto legal ou afetivo, inserido em um plano espiritual maior. Em tempos de alta taxa de divórcios e relações líquidas, o livro oferece uma alternativa sólida, baseada em valores perenes como fidelidade, sacrifício e presença divina.

segunda-feira, junho 23, 2025

Paraíso Reconquistado

Depois de ler a obra prima, Paraíso Perdido, agora é a vez de sua continuação: Paraíso Reconquistado. Publicado em 1671, nesta obra John Milton (1608-1674) retoma os temas bíblicos da queda e redenção, mas agora sob a perspectiva do triunfo moral e espiritual de Cristo diante das tentações do diabo no deserto, conforme relatado nos Evangelhos, principalmente no de Lucas.

Ao contrário do estilo grandioso e dramático de Paraíso Perdido, Paraíso Reconquistado é mais contido, com um foco narrativo mais restrito. Em apenas quatro cantos, Milton narra a tentação de Cristo no deserto, quando, após jejuar por quarenta dias, Ele é confrontado por Satanás e rejeita todas as suas tentações, demonstrando sua superioridade espiritual e sua resistência inabalável.

Milton abandona aqui as épicas batalhas celestiais e quedas cósmicas para concentrar-se na luta interna e moral. A obra é admirável por sua profundidade filosófica e teológica, tratando do verdadeiro significado da vitória espiritual. O Cristo é um símbolo do autodomínio, da razão e da obediência à vontade divina, opondo-se ao orgulho e à sedução material apresentados por Satanás. 

Outro ponto de destaque é a habilidade de Milton em apresentar o Diabo não como um ser grotesco, mas como um mestre da retórica e da manipulação, o que torna as tentações intelectualmente desafiadoras. A vitória de Cristo, portanto, não é apenas sobre desejos carnais ou mundanos, mas sobre o engano e a distorção da verdade. 

Apesar de sua recepção mais modesta, Paraíso Reconquistado permanece como uma peça fundamental na compreensão da redenção cristã e do papel de Cristo como o "novo Adão" que restaura a possibilidade de salvação perdida no Éden.

sábado, junho 21, 2025

Prefácio ao Paraíso Perdido


No ensaio o Prefácio ao Paraíso Perdido, publicado em 1942, C. S. Lewis (1898-1963) oferece ao leitor muito mais do que uma introdução à obra-prima de John Milton. Trata-se de um estudo sobre poesia épica, mitologia, moralidade e crítica literária, com um rigor acadêmico que faz jus ao conhecimento do professor. A obra é um pouco difícil de ler, mas Lewis ilumina alguns aspectos essenciais do poema.

Lewis começa por situar O Paraíso Perdido dentro da tradição das epopeias clássicas, como as de Homero e Virgílio, e defende a necessidade de compreendê-lo à luz de suas convenções literárias e culturais. Ele discute temas como hierarquia, obediência, liberdade e a queda do homem.

Um dos pontos altos do livro é a defesa que Lewis faz da objetividade moral presente em Milton. Ele afirma que, para compreender O Paraíso Perdido, é necessário aceitar, ainda que temporariamente, a visão teocêntrica do autor, caso contrário, perde-se a força dramática e poética da narrativa.

Sua leitura é, ao mesmo tempo, conservadora e provocadora: conservadora no resgate de valores tradicionais da crítica e da teologia cristã; provocadora ao desafiar as interpretações modernistas de sua época, especialmente a visão romantizada de Satã como um rebelde heroico.

Ainda assim, o livro permanece um boa leitura para qualquer estudante ou amante da literatura clássica e da crítica literária. Lewis não apenas nos ajuda a compreender O Paraíso Perdido; ele nos ensina a ler com mais atenção, com mais profundidade e com mais reverência.

sexta-feira, junho 13, 2025

Os Noivos


Publicado em 1842, Os Noivos é amplamente considerado o maior romance da literatura italiana. Alessandro Manzoni (1785-1873) constrói uma poderosa fusão entre o drama pessoal e o retrato social, ao mesmo tempo em que eleva a prosa italiana a um novo patamar de clareza e unidade linguística.

A trama se passa na Lombardia do século XVII, durante o domínio espanhol, e acompanha a história de Renzo e Lucia, dois camponeses humildes que lutam para se casar em meio a obstáculos sociais, políticos e religiosos. O vilão Don Rodrigo representa a corrupção dos poderosos, enquanto personagens como o Frei Cristóvão e o Cardeal Borromeu encarnam a força moral da fé cristã e da caridade.

Do ponto de vista literário, Os Noivos se destaca por sua estrutura equilibrada e pelo uso sutil da ironia. Manzoni intercala a narrativa com digressões históricas — como a peste de Milão ou a carestia — sem perder de vista o fio emocional da história principal. Essa fusão entre o épico coletivo e o drama íntimo é uma das grandes virtudes do romance.

Manzoni também promove uma crítica social poderosa: condena o autoritarismo, a ignorância promovida pelas elites e a passividade das massas. Ao mesmo tempo, aponta para a redenção possível através da fé, do arrependimento e da ação moral individual.

Apesar de sua densidade histórica e religiosa, o romance mantém um ritmo envolvente, com momentos de tensão, ternura e reflexão profunda. É uma leitura para quem busca compreender como o romance moderno europeu nasceu da fusão entre o realismo histórico e a sensibilidade moral.

domingo, junho 08, 2025

Santuário São João Bosco


Hoje eu precisei assistir a missa um pouco mais cedo do que o horário que a minha paróquia celebra a missa e com isso procurei uma paróquia que celebrasse a missa às 18h (bendita Igreja Católica onde temos a mesma celebração em todas as paróquias).

Usando a pesquisa de horários de missas (https://arqbrasilia.com.br/horarios-de-missas/) disponível no site da Arquidiocese de Brasília verifiquei que o Santuário São João Bosco na Asa Sul teria missa nesse horário. Como sempre tive interesse em visitar essa paróquia decidi ir assistir a missa de hoje lá.

A paróquia é bem imponente, mas, sinceramente, ela não é bonita. É um grande caixote com várias pilastras. Ela tem um pórtico de entrada feito de bronze que traz um diferencial para o prédio. 

Internamente ela é bem imponente com um enorme lustre no centro e os vitrais nas paredes são bem bonitos.

A paróquia é administrada pelos Salesianos e foi inaugurada em 1970.



sexta-feira, junho 06, 2025

Post Número 900!!


Foram quase 2 anos e cheguei a 900 postagens! Não foi o menor prazo, mas bem melhor do que alguns anos atrás.

Desde dezembro/2006, esses foram os tempos que levei para chegar em cada marca:

Para o 100º post levei 1 ano e 9 meses
Para o 200º post levei 1 ano e 7 meses
Para o 300º post levei 2 anos e 8 meses
Para o 400º post levei 3 anos e 3 meses
Para o 500º post levei 1 ano e 11 meses
Para o 600º post levei 2 anos e 8 meses
Para o 700º post levei 1 anos e 6 meses
Para o 800º post levei 1 anos e 3 meses
Para o 900º post levei 1 anos e 10 meses

As publicações foram de Agosto/2023 a Junho/2025. Na época que escrevi o 800º post eu estimei que levaria em torno de 2 anos para chegar nesse marco. Errei por bem pouco...

Imagino que devo levar o mesmo tempo para escrever o 1.000º post. Veremos daqui 2 anos!