domingo, setembro 29, 2024

Felicidade Conjugal


Felicidade Conjugal é uma novela escrita por Liev Tolstói (1828-1910) que explora as complexidades e as nuances do casamento através da perspectiva de um casal, principalmente a de Masha, a protagonista. A obra é uma reflexão sobre o amor, a felicidade e as dificuldades que surgem na vida a dois.

A história diz respeito ao amor e casamento de uma jovem, Mashechka (17 anos), e do muito mais velho Sergey Mikhaylych (36 anos), um velho amigo da família. A história é narrada por Masha. Após um namoro que tem as características de uma mera amizade familiar, o amor de Masha cresce e se expande até que ela não consegue mais contê-lo. Ela o revela a Sergey Mikhaylych e descobre que ele também está profundamente apaixonado.

Se ele resistiu a ela foi por medo de que a diferença de idade entre eles levasse a muito jovem Masha a se cansar dele. Ele gosta de ficar quieto e quieto, ele diz a ela, enquanto ela vai querer explorar e descobrir mais e mais sobre a vida. Extasiados e apaixonadamente felizes, o casal imediatamente se compromete a se casar. Uma vez casados, eles se mudam para a casa de Sergey Mikhaylych. Ambos são membros da classe alta russa. Masha logo se sente impaciente com a ordem tranquila da vida na propriedade, apesar da poderosa compreensão e amor que permanece entre os dois.

Para amenizar sua ansiedade, eles decidem passar algumas semanas em São Petersburgo. Sergey Mikhaylych concorda em levar Masha a um baile aristocrático. Ele odeia a "sociedade", mas ela está encantada com ela. Eles vão de novo, e de novo. Ela se torna uma regular, a queridinha das condessas e príncipes, com seu charme rural e sua beleza. Sergey Mikhaylych, a princípio muito satisfeito com o entusiasmo da sociedade de Petersburgo por sua esposa, desaprova sua paixão pela "sociedade"; no entanto, ele não tenta influenciar Masha.

Por respeito a ela, Sergey Mikhaylych permitirá escrupulosamente que sua jovem esposa descubra a verdade sobre o vazio e a feiura da "sociedade" por conta própria. Mas sua confiança nela é prejudicada ao ver como ela está deslumbrada com este mundo. Finalmente, eles se confrontam sobre suas diferenças. Eles discutem, mas não tratam seu conflito como algo que pode ser resolvido por meio de negociação. Ambos ficam chocados e mortificados que seu amor intenso tenha sido subitamente questionado. Algo mudou. Por orgulho, ambos se recusam a falar sobre isso. A confiança e a proximidade se foram. Só resta uma amizade cortês.

Masha anseia por retornar à proximidade apaixonada que eles conheciam antes de Petersburgo. Eles voltam para o campo. Embora ela dê à luz filhos e o casal tenha uma vida boa, ela se desespera. Eles mal conseguem ficar juntos sozinhos. Finalmente, ela pede que ele explique por que ele não tentou guiá-la e direcioná-la para longe dos bailes e festas em Petersburgo. Por que eles perderam seu amor intenso? Por que eles não tentam trazê-lo de volta? A resposta dele não é a que ela quer ouvir, mas a acalma e a prepara para uma longa vida de confortável "Felicidade Familiar".

Com essa simples, mas bela narrativa, Tolstói explora temas como a busca pela verdadeira felicidade, a natureza do amor e as obrigações que vêm com o casamento. O autor também reflete sobre a dinâmica de poder entre os cônjuges e como isso pode afetar a relação. Ao longo da história, Masha enfrenta dilemas sobre seu papel como esposa e suas próprias aspirações, questionando o que realmente significa ser feliz em um casamento.

A obra culmina em uma série de reflexões sobre o perdão, a compreensão e a capacidade de encontrar alegria nas pequenas coisas da vida a dois. "Felicidade Conjugal" é, assim, uma análise profunda e realista das relações humanas, mostrando que a verdadeira felicidade pode ser encontrada no compromisso, na empatia e na aceitação das imperfeições do outro.

sábado, setembro 28, 2024

O Livro dos Juízes e o Livro de Rute: Cadernos de estudo bíblico


E lá vamos nós para a leitura do 3º livro da coleção de Estudos Bíblicos do escritor Scott Hahn (1957-)!

O Livro dos Juízes e o Livro de Rute: Cadernos de Estudo Bíblico é uma obra que explora as narrativas presentes nos livros de Juízes e Rute da Bíblia, oferecendo uma análise aprofundada e reflexões sobre os temas centrais, personagens e eventos.

No Livro dos Juízes, o foco está em um período de instabilidade em Israel, onde o povo enfrenta ciclos de desobediência a Deus, opressão por nações vizinhas, arrependimento e libertação através de juízes escolhidos por Deus. A obra destaca figuras como Débora, Gideão e Sansão, refletindo sobre a importância da liderança e da fidelidade a Deus em tempos difíceis.

O Livro de Rute, por sua vez, apresenta uma narrativa de lealdade, amor e redenção. Rute, uma moabita, demonstra um compromisso notável com sua sogra Noemi e, através de sua história, exemplifica a inclusão e a graça divina. A obra discute o papel de Rute na linhagem de Davi e, consequentemente, na genealogia de Jesus, enfatizando a importância de suas ações e a providência de Deus.

Esses cadernos de estudo bíblico servem como uma ferramenta para aprofundar a compreensão das Escrituras, oferecendo perguntas de reflexão e aplicações práticas para a vida moderna. A obra convida os leitores a contemplar a fidelidade de Deus e a resposta humana a essa fidelidade, destacando lições eternas que permanecem relevantes.

sábado, setembro 21, 2024

O Sacramento do Matrimônio

 

Hoje foi um grande dia para nós! Eu e minha esposa conseguimos oficializar a nossa união perante Deus e agora estamos em plena comunhão com Ele sob um dos seus sinais eficazes da graça que é o Matrimônio.

Falo que conseguimos, porque desde o final de 2022 que estamos aguardando esse dia, pois a minha esposa entrou com um processo de nulidade matriomonial na Arquidiocese de Brasília para buscar a nulidade do seu matrimônio, o que para nós era bem claro, mas precisávamos da análise e anuência da Igreja para declarar que ela nunca foi casada!

Essa nulidade saiu em junho último e logo corremos para marcar o nosso casamento que foi realizado hoje.

A beleza do Matrimônio está muito bem esclarecida no Catecismo, onde esse Sacramento ajuda a superar o auto-isolamento, o egoísmo, a busca do próprio prazer e a abrir-se ao outro e à mútua ajuda.

O mais triste da atual sociedade é esta insistência no divórcio como o método mais simples e prático de resolver os problemas dentro do casamento, pois a indissolubilidade desse vínculo cria perplexidade e aparece como uma exigência impraticável. No entanto, Jesus não impôs aos esposos um fardo impossível de levar e pesado demais. Tendo vindo restabelecer a ordem original da criação, perturbada pelo pecado, Ele próprio dá a força e a graça de viver o matrimónio na dimensão nova do Reino de Deus. É seguindo a Cristo, na renúncia a si próprios e tomando a sua cruz, que os esposos poderão compreender o sentido original do matrimónio e vivê-lo com a ajuda de Cristo. Esta graça do Matrimónio cristão é fruto da cruz de Cristo, fonte de toda a vida cristã.

São Paulo nos dá a entender, quando diz em sua Epístola aos Efésios (5, 25-26): "Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, a fim de a santificar" e acrescenta imediatamente: "Por isso o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher e serão os dois uma só carne" (Ef 5, 31-32).

A questão é que o Cristo é a fonte desta graça. Assim como outrora Deus veio ao encontro do seu povo com uma aliança de amor e fidelidade, assim agora o Salvador dos homens e Esposo da Igreja vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do Matrimónio. Fica com eles, dá-lhes a coragem de O seguirem tomando sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro, de serem submissos um ao outro no temor de Cristo e de se amarem com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias do seu amor e da sua vida familiar, Ele dá-lhes, já neste mundo, um antegosto do festim das núpcias do Cordeiro:

Na nossa celebração tivemos a leitura do Capítulo 8 do Livro de Tobias (adaptado à liturgia) que narra o casamento de Tobias e Sara. Tobias, seguindo o conselho de seu pai Tobit e de Rafael (o anjo disfarçado), leva consigo o fígado e o coração do peixe que ele havia capturado anteriormente. Tobias queima o fígado e o coração do peixe em um braseiro. O cheiro expulsa o demônio Asmodeu, que havia causado a morte dos sete maridos anteriores de Sara. O demônio foge para o Egito, onde é aprisionado por Rafael. Tobias e Sara, cheios de fé, rezam juntos pedindo a bênção de Deus para seu casamento (a oração destaca a bondade de Deus e o propósito sagrado do matrimônio e é um dos trechos mais marcantes do capítulo e evidencia o amor puro e a confiança no plano divino). Raguel, temendo que Tobias pudesse ter o mesmo destino dos outros maridos de Sara, ordena que os servos cavem uma cova. Isso demonstra a apreensão dele com o que poderia acontecer. No entanto, ao perceber que Tobias está vivo pela manhã, Raguel louva a Deus e ordena que a cova seja fechada. Raguel organiza uma festa de 14 dias para celebrar o casamento. Ele também entrega a Tobias a metade de todos os seus bens como presente.

Já o salmo responsorial foi o Salmo 33(34) que é atribuído à Davi e tem uma linda resposta: "Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo!" A escolha não poderia ter sido mais apropriada, pois o seu Versículo 5, "Procurei o Senhor e ele me atendeu, livrou-me de todos os temores", reflete bem o quanto pedimos para que tudo desse certo para que pudessemos celebrar esse momento!

Com esse sacramento, creio que encerro a fase inicial da minha vida cristã onde posso resumir os seguintes fatos:

1981

  • 18/08: Nascimento
  • 13/09: Sacramento do Batismo
2021
  • 16/12: Retono à Santa Igreja Católica
2022
  • 08/01: 1ª missa assistida
  • 05/03: Início da Catequese
  • 03/04: Escolha da Paróquia para frenquentar
  • 06/11: Fim da Catequese 
  • 12/12: Entrada do processo de nulidade matrimonial
2023
  • 23/03: Sacramento da Confissão (1ª vez)
  • 08/04: Sacramento da Eucaristia (1ª vez)
  • 27/05: Sacramento da Confirmação
  • 14/10: Padrinho de batismo
2024
  • 21/06: Fim do processo de nulidade matrimonial
  • 21/09: Sacramento do Matrimônio
Agora é continuar a caminhada honrando a Deus em todos os momentos, buscando a santificação e mais almas para o Reino dos Ceús.

segunda-feira, setembro 16, 2024

A Exemplar Família de Itamar Halbmann


Mais um livro escrito pelo Curitibano Diogo Fontana (1980-) o livro A Exemplar Família de Itamar Halbman (2018) é um romance que explora as dinâmicas familiares e as complexidades das relações pessoais. O enredo gira em torno de uma família que, à primeira vista, parece perfeita e exemplar, mas que esconde segredos, conflitos e tensões internas.

A narrativa é centrada na vida dos personagens, mostrando suas interações cotidianas e os desafios emocionais que enfrentam. Halbmann utiliza uma linguagem envolvente para desvendar as camadas das relações familiares, expõe as expectativas sociais e o peso das aparências. A obra revela como as máscaras que as pessoas usam podem camuflar a verdade sobre suas vidas e sentimentos

Ao longo do livro, questões como amor, traição, perdão e a busca por identidade são abordadas, resultando em uma reflexão profunda sobre o que realmente significa ser uma “família exemplar”. A obra convida o leitor a pensar sobre as complexidades das relações que nos cercam e a importância da comunicação e do entendimento mútuo.

Com um estilo cativante e personagens bem desenvolvidos, "A Exemplar Família" se apresenta como uma leitura instigante que provoca uma série de questionamentos sobre a vida em família e as relações humanas, além de ser um livro que explica muito bem o que a sociedade brasileira está vivendo na última década em suas relações íntimas familiares.

quinta-feira, setembro 12, 2024

História do Brasil - Tomo I


A série de livros História do Brasil, do autor Padre Raphael Galanti (1840-1917), é uma obra que aborda a trajetória do Brasil desde o período pré-colonial até o início do século XX. O autor apresenta um panorama detalhado dos eventos históricos, sociais, culturais e econômicos que moldaram a nação brasileira.

No primeiro volume (de 1500 até 1624), Galanti narra a chegada dos portugueses ao Brasil, assim como o processo de colonização e a exploração dos recursos naturais. O livro discute a interação entre indígenas e colonizadores, a instalação das capitanias hereditárias e o desenvolvimento do sistema de produção colonial, incluindo a cana-de-açúcar e a escravidão africana.

Além disso, o autor destaca a influência da Igreja Católica na formação da sociedade brasileira e a luta pela independência. O Tomo I é rico em detalhes e análises, proporcionando ao leitor uma compreensão profunda das origens do Brasil e das bases que sustentaram a sua formação como nação.

A obra é uma importante contribuição para o estudo da história brasileira, revelando as complexidades e contradições desse processo histórico.

Um ponto interessante é que você pode procurar em qualquer programa didático atualmente que os atuais livros não irão considerar as intervenções diretas de Deus nos principais acontecimentos desses 500 anos de nação. E aqui temos um padre jesuíta que possui imprimatur da autoridade eclesiástica, ou seja, podemos ler sem o receio de estar sendo manipulado.

Para o autor, a verdadeira história deve inspirar-se nos modelos da antiguidade clássica, onde as narrativas conduzem o leitor a sentir com ele as emoções de cada época, junto a uma visão integral que contemple a exploração das fontes históricas unida à visão transcendente da finalidade mesma da História.

domingo, setembro 01, 2024

Madame Bovary

Uma magistral obra escrita pelo francês Gustavo Flaubert (1821-1880), Madame Bovary (1856) é  a obra seminal do realismo literário considerado a obra-prima de Flaubert e uma das obras literárias mais influentes da história.

A história é a da esposa de uma médica provinciana, Emma Bovary, que inicia relacionamentos adúlteros e vive além de suas posses para escapar do tédio, da banalidade e da mediocridade da vida provinciana.

O livro incia contando a história de um oficial de saúde, Charles Bovary, que depois de estudar medicina na juventude, casa-se com uma mulher mais velha que ele, Héloïse Dubuc, que, no entanto, morre prematuramente. Tendo ficado viúvo, ele se casa novamente com uma bela camponesa , Emma Rouault, imbuída de desejos de luxo e romance, anseios que vêm da leitura de romances. Charles vem de uma família rica e é um homem decente, mas também é chato e desajeitado. Ele dispensa todo tipo de caprichos à jovem esposa, que, no entanto, embora não demonstre, começa a ficar cada vez mais entediada com sua monótona vida de casada, muito diferente do que imaginava ao ler romances românticos .

O desprezo de Emma é ainda reforçado pela comparação com o estilo de vida dos aristocratas ricos: o casal é de fato convidado para um baile no castelo de Vaubyessard, propriedade do Marquês de Andervilles. Aproveitando a lembrança dos requintes que pôde desfrutar durante uma noite, Emma perde todo o interesse pelos seus passatempos e cai num estado de inércia que preocupa muito o marido. Ele, esperando que uma mudança de cenário possa beneficiar a saúde física e mental de sua esposa, decide mudar-se de Tostes para Yonville, onde há uma vaga disponível para médico. Em março, quando os dois deixam Tostes, Emma já está grávida.

Em Yonville, Emma aceita o namoro de uma das primeiras pessoas que conhece, um jovem estudante de direito, Léon Dupuis, que parece partilhar com ela o gosto pelas “coisas boas da vida”. Quando Léon sai para estudar em Paris, Emma inicia um relacionamento com um rico proprietário de terras , Rodolphe Boulanger. Confusa com seus anseios românticos imaginativos, Emma elabora um plano para fugir com ele. Rodolphe, porém, não está disposto a abandonar tudo por uma de suas amantes. Ele então quebra o acordo na noite anterior à fuga planejada, por meio de uma carta no fundo de uma cesta de damascos. O choque é tamanho que Emma fica gravemente doente e por algum tempo se refugia na religião.

Uma noite, em Rouen , Emma e Charles vão à ópera e a mulher reencontra Léon. Os dois iniciam um relacionamento: Emma viaja toda semana para a cidade para conhecê-lo, enquanto Charles acredita que ela tem aulas de piano . Ao mesmo tempo, Emma está gastando somas exorbitantes de dinheiro . Entretanto as suas dívidas atingem valores explosivos e as pessoas começam a suspeitar de adultério . Depois que seus amantes recusaram seu dinheiro para pagar suas dívidas, Emma engole uma dose de arsênico e morre, dolorosa e lentamente. O leal Charles fica chocado, principalmente porque encontra as cartas que Rodolphe escreveu para Emma. Depois de pouco tempo ele também morre e a filha do casal fica órfã.

quarta-feira, agosto 28, 2024

Eugenia e Outros Males


Diferente do último livro que li do Chesterton (1874-1936) o Eugenia e Outros Males (1922) foi um pouco mais fácil de entender, mas ainda assim é um desafio captar tudo que o autor quer dizer.

Trata-se de um livro que lida diretamente com o problema que é apresentado em seu título, e que era a "praga científica" da época. Em nome da ciência, uma tirania se erguia na Europa e Chesterton foi uma das nobres vozes que abertamente enfrentou essa moda intelectual em nome das coisas antigas e perenes.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, o autor busca expor o que é a eugenia e quais são os problemas em tal teoria. Na segunda, tenta apontar para as raízes do problema, o que o ensejou de fato.

O autor começa definindo a eugenia como o controle da parte de uma minoria sobre o casamento, o sexo e a procriação da maioria. É claro que muitos douram a pílula e a apresentam como uma forma de se preocupar com a posteridade e o caminho para um futuro mais próspero e feliz. Mas, no final das contas, trata-se de tal tipo de controle. O suposto fundamento moral está fundamentado na ideia de que se deve considerar o bebê inexistente antes do par presente. Com isso, converte-se o patife de outrora em herói, pois qualquer 'defeito' encontrado no noivo ou noiva, ou mesmo no cônjuge, será justificativa plausível e mais do que justa para abandoná-lo.

Para o autor, a eugenia não era mais uma ameaça futura, mas uma ameaça presente, pois seu veneno já corria pelas veias das leis. Ela havia se iniciado por meio das leis dos débeis-mentais, que deveriam ser trancafiados e impedidos de procriarem-se. O problema é que não havia uma definição precisa e técnica sobre o que era uma tal pessoa louca. Na verdade, havia uma definição tão genérica e abrangente que poderia condenar qualquer um que os médicos quisessem. Dizer que se tratava de alguém que não agisse de forma racional em momentos de pressão, ou que não fosse prudente, deixa, na melhor das hipóteses, quase todo mundo sob suspeita. E para piorar, quando se questionava quem é que deveria exercer a autoridade para implantar as medidas eugênicas, encontrava-se um grande problema, pois os médicos não concordavam entre si na definição de quem era o louco, de tal poder dado aos médicos criaria uma condição de inevitável conflito de poder. Toda essa instabilidade constitui um estado de anarquia, a qual Chesterton define como uma normalização da exceção, como um rompante incessante e incessável, em uma incapacidade de se retomar o estado de normalidade após se exercer uma medida extrema. E esse era o destino da legislação eugênica, que tenderia cada vez mais à viabilização da tirania e à subversão da normalidade civil.

Chesterton também dirige suas críticas diretamente à própria teoria, demonstrando que a hereditariedade, embora inegável, estava eivada de mistérios, pois não é fácil precisar exatamente o que foi herdado do pai ou da mãe, e em que medida isso se deu, ou mesmo se veio de uma ancestralidade ainda maior - o autor já admitia as noções de genes recessivos.

Para finalizar a primeira parte, Chesterton observa que essa tirania dos eugenistas era pior do que as antigas tiranias, pois sua proposta era a de tolher liberdades fundamentais em nome de uma experiência, para verificarem suas hipóteses, e não por alguma convicção. Isso faz com que a nova tirania e perseguição seja feita não para se ensinar algo à força, ou por se acreditar em algo, mas para tentar aprender algo com o 'sacrifício imposto' do outro. Com efeito, a ciência moderna havia se tornado a nova religião, e usava o "poder temporal" para se fazer valer. Entretanto, esta era uma 'igreja estabelecida na dúvida', e não em convicções - o que, por si só, tornava o experimento um abuso colossal.

Na segunda parte, Chesterton começa com um interessantíssimo tratamento da condição progressista que vê os acontecimentos pregressos, primeiramente como males necessários e depois como bens providenciais. Em suma, ha uma atitude típica de impenitência, onde as pessoas se recusam a admitir que erraram, em que assumem como inalterável o processo que se deu no passado e culminou no presente. Para tal, precisam até mesmo falsificar a história ou obliterar as partes que incomodam. E a parte que incomoda a ser destacada pelo autor é a questão da origem dos pobres.

É nesse contexto que surge a proposta eugênica. Afinal, a exploração dos pobres ao máximo acabou por torná-los tão miseráveis que se tornaram maus empregados, entregues à bebida e à promiscuidade, que são os prazeres acessíveis à sua condição deplorável. Assim, com muitos filhos para criarem e sem condições de o fazer, acabam debilitando sua própria saúde e, sendo isso uma condição generalizada, prejudicam a própria produção. Os ricos e empresários, então, pensaram em uma forma de erradicar a pobreza pela eliminação do pobre, e isso de forma velada: a eugenia.

Os últimos capítulos da segunda parte são destinados a analisar as forças que ainda podem se contrapor aos avanços totalitários da eugenia.

Em seguida, o autor fala sobre o socialismo. Ele se opõe ao socialismo por conta de sua concepção a respeito da propriedade privada, que lhe parece questão de honra - embora, temos de nos lembrar que o autor pensa nisso em termos distributivistas. Nosso filósofo inglês observa que há uma disputa entre liberais e socialistas no que diz respeito à importância da liberdade e da igualdade. Entretanto, o atual estado promoveu toda a privação das liberdades que há no socialismo sem promover qualquer igualdade prometida. Portanto, nem mesmo o socialismo pode surgir como rival da tirania eugenista.

Por último, Chesterton fala sobre a sacralidade da propriedade doméstica, que é encarada com afetuosidade como um deus do lar entre os antigos. Chesterton nota que o ideal de família e do trabalho para sustentá-la estão sendo altamente aviltados pela situação do trabalhador moderno, que não tem nenhuma segurança no seu ofício, sendo despedido como um ninguém, ao mesmo tempo que é vigiado de perto dentro de sua própria casa pelos tentáculos totalitarista do Estado. Priva-se o indivíduo, pois, de sua propriedade e de sua liberdade.

sexta-feira, agosto 23, 2024

O Livro do Êxodo: Cadernos de estudo bíblico


Foi tão prazerosa a leitura do 1º livro da coleção de Estudos Bíblicos do escritor Scott Hahn (1957-) que rapidamente parti para o 2º livro e terminei ele em 4 dias!

Nesse volume temos o livro do Êxodo que narra a história de Moisés desde o seu nascimento até a entrega das tábuas dos 10 mandamentos.

Novamente o livro é excelente com vários comentários que elucidam bastante o que Deus quis fazer com o seu povo e o contexto que o Egito vivia à época dando bastante certeza que Moisés existiu e que os fatos apresentados pela Sagrada Escritura são verdadeiros não só ponto teológico, mas também histórico.

segunda-feira, agosto 19, 2024

O Desconcerto do Mundo


Mais um livro lido do genial Gustavo Corção (1896-1978) e dessa vez trata-se de um conjunto de três ensaios que tratam da mesma temática.

No 1º, que dá à obra o título colhido na Lírica de Camões, o autor procura desvendar em que consiste o “desconcerto” de que tanto se queixa o poeta, e tenta fazer um paralelo entre a experiência poética e a mística, valendo-se principalmente da poesia de Camões.

No 2º ensaio vêm diversos estudos de alguns aspectos das obras de Machado de Assis e Eça de Queirós, merecendo especial atenção a interpretação dada para o pessimismo e ceticismo de Machado.

No 3º, são os pintores que comparecem com seus problemas; o autor apresenta a sucessão de escolas, correntes, buscas, tentativas, como uma sucessão de manifestações que se completam e como uma Exposição Universal que se prepara para o dia do Juízo Final.

Debaixo da diversidade de assuntos nós encontramos a unidade do problema central, que é a pungente interrogação que todos os artistas de todos os tempos põem em suas obras, cada um com seus recursos, resumido na sentença: “De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?”.

domingo, agosto 18, 2024

Paróquia Santo Antônio


Dia de conhecer mais uma paróquia e dessa vez foi em Maragogi/AL.

Aproveitando as férias que estamos passando no Resort de Salinas, viemos assistir a missa dominical na Igreja Matriz da cidade.

Pelo que pude pesquisar a Paróquia é antiga, sendo construída em meados de 1875, quando a cidade ainda era uma vila chamada Isabel (em homenagem a nossa Princesa).


O presbitério é bem simples, mas bem ornado remetendo as igrejas tradicionais do séc XIX.

Tem como santo padroeiro o nosso famoso Santo Antônio (sendo também padroeiro da cidade), inclusiva a praça de frente a paróquia leva o seu nome com a sua estátua.



terça-feira, agosto 13, 2024

O Livro do Gênesis: Cadernos de estudo bíblico


Já tem um tempo que tento me dedicar a leitura sistemática da Bíblia, porém sem alcançar o resultado que almejo que é tentar entender a luz da doutrina católica, sem cair no erro protestante de eu mesmo tentar entender sozinho o que a palavra de Deus quer dizer para nós.

Creio que com essa séria de Cadernos de Estudos Bíblicos escrito pelo Scott Hahn (1957-) pode fazer com que eu me aproxime mais da Sagrada Escritura de forma sistemática com o auxílio dos santos padres que já interpretaram as passagens para nós.

Além disso, esse Caderno traz também uma contextualização de como o Livro Sagrado foi escrito e os locais que se passa a história.

Mesmo já tendo lido o livro Gênesis outras vezes (creio que é o livro que mais li da Bíblia), esse Caderno de Estudos trouxe alguns pontos que eu não tive o discernimento de entender sozinho e que agora ficaram mais claros para mim.

domingo, agosto 11, 2024

A Ladeira da Memória

Nunca tinha ouvido falar do escritor José Geraldo Vieira (1897-1977) e que grata surpresa eu tive em ler o seu romance A Ladeira da Memória (1950).

Enquanto a maioria dos escritores da sua época escreviam sobre o interior do Brasil, José Geraldo Vieira optava por uma escrita de cunho mais universal. A Ladeira da Memória, foge um pouco da ambientação europeia, muito comum em outros romances, ficando mais ambientada no Rio de Janeiro e interior de São Paulo.

A história é escrita no período da 2ª Guerra Mundial e conta história de amor proibido entre Jorge e Renata. Só que se trata de um tipo de romance que confesso que nunca vi entre os autores brasileiros, um tipo de amor não envolto em paixões carnais, mas um pouco mais sublime, do tipo sacrificial. Renata é casada, e Jorge, além de médico, escreve romances (autobiográfia do autor), Renata vive entre um dilema de manter um casamento, tendo em vista a sua visão de sacralidade e deveres conjugais para com seu marido, que quase nunca se faz presente e o amor que alimenta por Jorge.

O romance segue até que se descobre que Renata tem tuberculose (doença fatal na época) temos aí um grande momento de como o destino pode influenciar na vida das pessoas, o cenário descrevendo a morte de Renata é um dos momentos mais dramáticos e bem descritos do livro. O título da obra "Ladeira da Memória" remete a uma rua descrita pelo tio de Jorge, sobre as cenas do seu casamento, o desembargador Rangel convida após o drama da morte de Renata a subir a Ladeira da Memória, para desse modo resgatar a sua própria alma que se foi com sua amada.

terça-feira, julho 30, 2024

O Homem Eterno


Dizem que ler Chesterton (1874-1936) na sua língua original (inglês) já não é fácil, ler então as suas traduções torna ainda mais desafiadora a compreensão.

O Homem Eterno é um livro de apologética cristã publicado em 1925. É, até certo ponto, uma refutação deliberada de uma obra de H. G. Wells, contestando as representações de Wells da vida humana e da civilização como um desenvolvimento contínuo da vida animal e de Jesus Cristo como meramente outra figura carismática.

Chesterton detalhou sua própria jornada espiritual na Ortodoxia, mas neste livro ele tenta ilustrar a jornada espiritual da humanidade, ou pelo menos da civilização ocidental.

De acordo com os contornos evolucionários da história propostos por Wells e outros, a humanidade é simplesmente outro tipo de animal e Jesus foi um ser humano notável, e nada mais. A tese de Chesterton, conforme expressa na Parte I do livro ('Sobre a Criatura Chamada Homem'), é que se o homem é realmente e desapaixonadamente visto simplesmente como outro animal, somos forçados a concluir que ele é um animal bizarramente incomum.

Na Parte II ('Sobre o Homem Chamado Cristo'), Chesterton argumenta que se Jesus é realmente visto simplesmente como outro líder humano e o Cristianismo e a Igreja são simplesmente outra religião humana, somos forçados a concluir que ele foi um líder bizarramente incomum, cujos seguidores fundaram uma religião e Igreja bizarramente e milagrosamente incomuns. "Eu não acredito", ele diz, "que o passado seja mais verdadeiramente retratado como algo em que a humanidade simplesmente desaparece na natureza, ou a civilização simplesmente desaparece na barbárie, ou a religião desaparece na mitologia, ou nossa própria religião desaparece nas religiões do mundo. Em suma, eu não acredito que a melhor maneira de produzir um esboço da história seja apagar as linhas."

sábado, julho 13, 2024

Empatia Assertiva


Livro de liderança escrito por uma ex-executiva da Apple e do Google, Kim Scott, Empatia Assertiva define o termo franqueza radical como feedback que incorpora elogios e críticas. Ao contrário da transparência radical ou da honestidade radical, a autora diz que o princípio de gestão da franqueza radical envolve “cuidar pessoalmente enquanto desafia diretamente”. O livro foi publicado pela primeira vez em 2017.

Para explicar o conceito de franqueza radical, Scott apresenta o que ela chama de bússola para conversas francas e define os quatro comportamentos seguintes nos quais os gestores se incorrem ao dar feedback.

Agressividade Ofensiva, também chamada de honestidade brutal ou facada frontal, é o que acontece quando os gerentes desafiam os funcionários diretamente, mas não demonstram que se importam com os indivíduos pessoalmente. Inclui elogios insinceros e críticas pouco gentis.

Insinceridade Manipuladora, também conhecida como traição ou comportamento passivo-agressivo, é o que acontece quando os gerentes não se importam pessoalmente nem desafiam diretamente. Seus elogios são insinceros na cara de uma pessoa e suas críticas são duras pelas costas de uma pessoa.

Empatia Nociva ruinosa é quando os gerentes se importam com os indivíduos pessoalmente, mas falham em desafiar os funcionários diretamente. Inclui elogios que não são específicos e críticas que são açucaradas e pouco claras.

Empatia Assertiva radical é o que acontece quando os gestores demonstram que se importam pessoalmente com os funcionários, ao mesmo tempo que os desafiam diretamente com um feedback claro e gentil, que não é agressivo ou insincero.

Para fornecer exemplos de cada tipo de comportamento, o livro apresenta histórias da época em que Scott trabalhava e liderava equipes no Vale do Silício. Esse é um dos problemas do livro para nós brasileiros, pois são exemplos um pouco fora da realidade das nossas empresas e principalmente do setor em que trabalho.

domingo, junho 30, 2024

A Última Superstição: Uma Refutação do Neoateísmo


Escrito pelo filósofo norte-americado Edward Feser (1968-) o livro tem como tema central a guerra que tem havido durante vários séculos entre a ciência e a religião, que a religião tem vindo a perder constantemente essa guerra e que neste momento da história humana, uma explicação científica completamente secular do mundo foi elaborada com detalhes tão completos e convincentes que não há mais qualquer razão para que uma pessoa racional e educada considere as reivindicações de qualquer religião minimamente dignas de atenção.

Mas como o autor argumenta nessa grande obra, na verdade não há, e nunca houve, nenhuma guerra entre ciência e religião. Em vez disso, houve um conflito entre duas concepções inteiramente filosóficas da ordem natural: por um lado, a visão "teleológica" clássica de Platão, Aristóteles, Agostinho e Aquino, na qual o propósito ou direcionamento de objetivo é uma característica tão inerente do mundo físico quanto a massa ou a carga elétrica; e a visão "mecânica" moderna de Descartes, Hobbes, Locke e Hume, segundo a qual o mundo físico é composto de nada mais do que partículas sem propósito e sem sentido em movimento.

Acontece que, na imagem teleológica clássica, a existência de Deus, a imortalidade da alma e a concepção de moralidade da lei natural são racionalmente inevitáveis. O ateísmo e o secularismo modernos sempre dependeram crucialmente para suas credenciais racionais da insinuação de que a imagem moderna e mecânica do mundo foi de alguma forma estabelecida pela ciência.

Além disso, como Feser mostra, os argumentos filosóficos a seu favor dados pelos primeiros filósofos modernos eram notáveis ​​apenas por serem surpreendentemente fracos. As verdadeiras razões para sua popularidade eram então, e são agora, principalmente políticas: era uma ferramenta pela qual os fundamentos intelectuais da autoridade eclesiástica podiam ser minados e o caminho aberto para uma nova ordem social secular e liberal orientada para o comércio e a tecnologia.

No entanto, essa imagem filosófica moderna não é apenas racionalmente infundada, ela é demonstravelmente falsa. Pois a concepção “mecânica” do mundo natural, quando elaborada consistentemente, absurdamente implica que a racionalidade, e de fato a própria mente humana, são ilusórias. A chamada “visão de mundo científica” defendida pelos Novos Ateus, portanto, inevitavelmente mina seus próprios fundamentos racionais; e, além disso, mina também os fundamentos de qualquer moralidade possível.

Em contraste, e como o livro demonstra, a imagem teleológica clássica da natureza pode ser vista encontrando uma confirmação poderosa em desenvolvimentos da filosofia, biologia e física contemporâneas; além disso, a moralidade e a própria razão não podem ser entendidas separadamente dela. A visão teleológica dos antigos e medievais é, portanto, racionalmente justificada – e com ela a visão de mundo religiosa que eles basearam nela.

Saldo Fim de Mês da Coleção de Jogos


A última vez que tinha registrado a evolução da coleção de jogos foi há quase um ano atrás em julho/23.

Nesses 11 meses entraram mais 10 jogos na coleção, quase todos adquiridos no fim do ano passado e no último mês. Portanto, resolvi atualizar o controle dessas últimas aquisições até o momento.

O motivo de não ter atualizado com a frequência mensal que eu fazia e que fiquei bastante tempo sem jogar e mesmo os jogos esporádicos que comprei, eu joguei muito pouco. Como voltei a jogar um pouco mais nas últimas semanas, resolvi atualizar.

Houve a "baixa" de um jogo de PC, porque comprei a mesma versão do jogo para o Switch que foi o The Talos Principle.





domingo, junho 23, 2024

Star Wars Jedi: Survivor


Há quase 3 anos eu terminava o Star Wars Jedi: Fallen Order e hoje eu termino a sua sequência o Star Wars Jedi: Survivor.

O jogo segue a mesma mecânica do primeiro (um souls-like misturado com metroidvania) e como gostei demais do 1º jogo e depois de um ano sem jogar (o último jogo que finalizei foi em junho/23), resolvi voltar a jogar exatamente com a sequência dele.

Como é de praxe, a mecânica de combate está mais ampla com mais movimentos e uma novidade que seriam as posturas do sabre de luz. O combate continua sendo muito prazeroso e os mapas bem interessantes para serem desbravados.

Para quem é fã da franquia é um jogo mais do que obrigatório!

segunda-feira, abril 01, 2024

Aparições de Nossa Senhora


Um livro que serve de uma excelente fonte de consulta para quem quiser saber sobre as comprovadas aparições que Nossa Senhora já nos fez até hoje.

Escrito pela norte-americana Joan Carroll Cruz (1931-2012) e publicado no ano de sua morte o livro é uma coleção incrível de aparições aprovadas da Virgem Maria.

Abrangendo 23 países e dois milênios, as visões narradas aqui mostram o profundo amor de Maria pela humanidade, seu Filho e a Igreja. Joan Carroll Cruz pesquisou meticulosamente cinquenta aparições de Nossa Senhora. Há aparições menos conhecidas, como Nossa Senhora de La Vang no Vietnã e Nossa Senhora de Las Lajas na Colômbia, até as mais famosas como em Fátima, Lourdes e Guadalupe.

Aprovados pelos bispos locais ou pelo Vaticano, esses milagres mostram o grande amor de Maria pelo homem, sua constante intercessão em nosso favor e seu papel como protetora da Igreja.

sábado, março 30, 2024

O Mercador de Veneza


E lá vamos mais de William Shakespeare (1564-1616) com a 5ª obra que leio do dramaturgo inglês: O Mercador de Veneza (escrita em torno de 1598), narra a história de um comerciante de Veneza chamado Antonio que deixa de pagar um grande empréstimo feito em nome de seu querido amigo, Bassanio, e fornecido por um agiota judeu, Shylock, com consequências fatais aparentemente inevitáveis.

Bassanio, um jovem veneziano de nobreza, deseja cortejar a bela e rica herdeira Pórcia de Belmont. Tendo esbanjado sua propriedade, ele precisa de 3.000 ducados para subsidiar suas despesas como pretendente. Bassanio aborda seu amigo Antonio, um rico comerciante de Veneza, que o salvou anteriormente e repetidamente. Antonio concorda, mas como ele está sem dinheiro — seus navios e mercadorias estão ocupados no mar para Trípolis, as Índias, México e Inglaterra — ele promete cobrir uma fiança se Bassanio puder encontrar um credor, então Bassanio recorre ao agiota judeu Shylock e nomeia Antonio como fiador do empréstimo.

Antonio já antagonizou Shylock por meio de seu anti-semitismo declarado e porque o hábito de Antonio de emprestar dinheiro sem juros força Shylock a cobrar taxas mais baixas. Shylock a princípio reluta em conceder o empréstimo, alegando os abusos que sofreu nas mãos de Antonio. Ele finalmente concorda em emprestar a quantia a Bassanio sem juros, com uma condição: se Antonio não puder reembolsá-la na data especificada, Shylock poderá ficar com meio quilo da carne de Antonio. Bassanio não quer que Antonio aceite uma condição tão arriscada; Antonio fica surpreso com o que considera a generosidade do agiota e assina o contrato. Com o dinheiro na mão, Bassanio parte para Belmont com o amigo Gratiano.

O clímax da peça se passa na corte do Duque de Veneza. Shylock recusa a oferta de Bassanio de 6.000 ducados, o dobro do valor do empréstimo. Ele exige seu quilo de carne de Antonio. O duque, desejando salvar Antonio, mas não conseguindo anular o contrato, remete o caso a um visitante. Ele se identifica como Balthazar, um jovem "doutor da lei", que carrega uma carta de recomendação ao duque do erudito advogado Bellario. A médica é Portia disfarçada, e a escriturária que a acompanha é Nerissa, também disfarçada de homem. Como Balthazar, Portia, em um famoso discurso, pede repetidamente a Shylock que mostre misericórdia, aconselhando-o que a misericórdia "é duas vezes abençoada: / Abençoa aquele que dá e aquele que recebe". No entanto, Shylock recusa veementemente qualquer compensação e insiste na libra de carne.

Enquanto o tribunal concede a Shylock sua fiança e Antonio se prepara para a faca de Shylock, Portia habilmente se apropria do argumento de Shylock para "desempenho específico". Ela diz que o contrato permite que Shylock remova apenas a carne , e não o sangue, de Antonio. Assim, se Shylock derramasse qualquer gota de sangue de Antonio, suas "terras e bens" seriam confiscados pelas leis venezianas. Ela diz a ele que ele deve cortar exatamente meio quilo de carne, nem mais, nem menos; ela o avisa que "se a balança mudar / Mas na estimativa de um fio de cabelo, / Você morrerá, e todos os seus bens serão confiscados".


sexta-feira, março 29, 2024

Se Houvesse um Homem Justo na Cidade


Escrito pelo Curitibano Diogo Fontana (1980-) o livro Se Houvesse Um Homem Justo na Cidade (2022) é um excelente livro com uma leitura bem envolvente que vai ficando cada vez mais dramático na medida que evolui.

É a história de uma família venezuelana que com sobrenome e intelecto acabaram por perder tudo. É mostrada, acima de tudo, a realidade mental, as frustrações e os sentimentos de um professor inteligente ao qual acaba por padecer na saúde mental, física e financeira junto com sua mãe e irmão ao qual pensa diferente mostrando embates entre os dois com a família perdendo tudo por causa do regime Chavista, mostrando como era antes, durante e depois.

O irmtão, que mesmo sendo culto, erudito e com boa posição social, foi incapaz de convencer seu próprio irmão quanto à torpeza e perversidade do governo Chaves/Maduro. Assistiu à decadência do seu povo e à sua própria, forçado a emigrar para o Brasil, enfrentando a miséria extrema.

O autor acerta na maneira de abordar os infortúnios pelos quais os venezuelanos foram submetidos. Mostra, de maneira detalhada, mas sem ser enfadonha, a decadência da sociedade e das realidades individuais (desmantelamento da família central da história). Mostra os efeitos físicos e psicológios nos cidadãos venezuelanos e as angústias e tristezas causadas pela implantação da ditadura no país.